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A estranha criatura do fundo do mar conhecida como Blobfish (Genus 
Psychrolutes)

A estranha criatura do fundo do mar conhecida como Blobfish (Genus Psychrolutes)

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United Nations, New York, Estados unidos — A proposta de moratória na pesca em águas profundas foi arpoada na última quinta-feira na ONU, com a Islândia colocando os interesses de suas frotas pesqueiras acima dos conselhos científicos e de outros países.

Até o Canadá e a Espanha se juntaram à proposta no final. Mas a Islândia destruiu sua reputação como nação que tem políticas responsáveis de pesca. O país está com sangue em suas mãos: o destino de 64% dos oceanos do mundo, e a segurança alimentar das gerações futuras.

Karen Sack, conselheira de Políticas de Oceanos do Greenpeace, afirmou depois de uma longa noite de espera na ONU: "O acordo final tem mais buracos do que uma rede de pescador, e não altera em nada a forma como nossos oceanos são gerenciados." As notícias são bem ruins considerando que uma recente avaliação científica mostrou que se nada mudar, boa parte da pescaria comercial entrará em colapso até 2048.

Graças à pressão de cidadãos comuns em todo o mundo, além de cientistas, jornalistas e ativistas, até o Canadá e a Espanha apoiaram ações em defesa dos oceanos na ONU. Nas duas últimas semanas, os dois países receberam mais de 70 mil emails dos defensores dos oceanos. Outros países apoiaram a proposta de moratória, como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Brasil, Índia, África do Sul, Chile, Alemanha e União Européia. No entanto, a tentativa desses países de conseguir um consenso a todo custo resultou num pedaço de papel inútil que permitirá a exploração desmedida do alto-mar.

"A comunidade internacional deveria estar escandalizada com o fato da Islândia conseguir quase que isoladamente afundar a proteção dos mares e a segurança alimentar as futuras gerações. A Islândia deveria estar envergonhada, assim como todos os países que não se levantaram e lutaram pelo futuro dos oceanos", afirmou Karen.

A Islândia e seus parceiros pesqueiros, que se colocaram contra a moratória da ONU em relação à pesca no fundo dos mares, deveria perceber que para garantir o futuro de suas próprias indústrias, a situação não pode continuar do jeito que está. Os oceanos não são fontes inesgotáveis de recursos - como confirmam recentes relatórios científicos.

Todos os países que se comprometeram a apoiar a moratória contra a pesca em águas profundas têm agora a oportunidade de proteger habitats vulneráveis da pesca destrutiva restringindo o acesso de peixes do fundo do mar ao mercado consumidor. Esses países também podem apoiar a criação de uma rede global de reservas marinhas nos oceanos do planeta, e garantir que seus países não estejam envolvidos em pescaria de arrasto. Eles podem também implementar duras medidas regionais para proteger as águas profundas.