Já imaginou de onde veio aquele peixe ou camarão que está em seu prato? Bem, chegou a hora de você pensar nisto – e fazer com que seus amigos também pensem nisto. Já ouviu dizerem que “há muito mais peixe no mar”? Não acredite nisto. Dos peixes que ainda restam, 75% estão com sérios problemas – seja pela pesca excessiva ou por estarem em recuperação pela pesca predatória.
A maneira como os peixes são capturados e o estrago causado às demais
reservas pesqueiras e aos outros oceanos pela pesca predatória nem
foram considerados nessa porcentagem. Além disto, existe ainda o
problema do peixe roubado. Conforme demonstramos na África Ocidental,
existem piratas operando diariamente em todos os oceanos.
Localizar
e identificar a procedência de todos os peixes não é tarefa fácil. Mas
também não é impossível – já que muitos países fazem isto com relação a
vacas e galinhas, por que não fazê-lo também com peixes? Supermercados,
restaurantes e varejistas têm que fazer parte da solução para o fim do
comércio de peixe roubado, para a proteção das espécies que não
sobreviverão no atual regime de pesca, e para o fim da compra de peixe
que foi capturado de maneira a destruir a vida nos oceanos. Estas
empresas deveriam nos garantir com exatidão a procedência do peixe que
vendem, se o peixe foi capturado legalmente e qual embarcação fez a
captura, e também se a pesca foi feita de maneira sustentável.
Entretanto, os comerciantes freqüentemente ignoram tais fatos.
Se
souberem que as pessoas se preocupam com isso, os varejistas passarão a
reagir de maneira diferente. Eles terão que informar o que você e seus
amigos querem saber. Mas, se ninguém fizer as perguntas certas, eles
continuarão ignorando e jamais darão as respostas certas. Mesmo que
você não coma peixe, ainda assim você poderá fazer as perguntas…
Na próxima vez em que estiver em seu restaurante ou supermercado preferido, tente fazer algumas perguntas. • Onde o peixe foi capturado? • Como ele
foi capturado? - Houve algum desperdício (peixe extra que eles não
esperavam capturar, e que é devolvido ao mar morto ou moribundo)? • Como o supermercado/restaurante garante que nenhum peixe capturado ilegalmente chegou às suas prateleiras? • Pode o comerciante informar a você o nome da embarcação ou da empresa que capturou o peixe? |
A seguir, algumas das principais espécies a serem destacadas:Camarão tropical (cultivado e silvestre)

• O camarão tropical capturado na natureza apresenta uma das maiores
porcentagens de desperdício – de uma maneira geral, as traineiras que
pescam camarão tropical são responsáveis por 35% do desperdício
mundial. Para cada quilograma de camarão capturado, mais de dez
quilogramas de outra vida marinha são descartados como desperdício.
Incluídos neste desperdício estão espécies ameaçadas de extinção, como
as tartarugas marinhas.
• Traineiras com redes de arrastão para camarão destroem também o fundo do mar.
•
O cultivo de camarão tropical acarreta significativo impacto
prejudicial ao meio ambiente, principalmente pela destruição de
manguezais e pela poluição. Existem também muitos problemas de direito
humano associados com estas práticas de cultivo, inclusive a destruição
de pesqueiros da população local.
Atum (todas as espécies exceto o atum-bonito)

• ATodos os cardumes de atum são quase totalmente explorados, e muitos deles são explorados em excesso.
•
O atum azul (Thunnus thymus) do sul está relacionado como Criticalmente
em Extinção, e a albacora (Thunnus obesus) como Vulnerável.
• Os
dois métodos principais para a pesca de atum, a rede de cerco e o
espinhel, acarretam uma altíssima porcentagem de desperdício de peixes
pequenos, tubarões, marlins, espadartes e tartarugas.
Bacalhau do Atlântico

•
Todos os cardumes do nordeste do Atlântico são explorados em excesso e,
de acordo com cientistas independentes, estão em declínio.
• Os
cardumes de algumas regiões, inclusive no Mar do Norte, estão tão
reduzidos que os cientistas estão recomendando que a pesca de bacalhau
seja proibida nessas regiões.
•
Os métodos usados para a pesca de bacalhau acarretam altos níveis de descarte de peixes imaturos e de espécies não desejadas.Salmão do Atlântico (silvestre e cultivado)

•
Os
cardumes de salmão silvestre do Atlântico estão extremamente exauridos
devido à pesca em excesso, e acredita-se que foram reduzidos à metade
nos últimos vinte anos.•
O salmão do
Atlântico cultivado não oferece uma boa alternativa, pois é usado peixe
silvestre na alimentação do salmão cultivado.•
O
salmão é cultivado intensivamente – as doenças resultantes dessa
prática passam para os peixes silvestres, e os produtos químicos,
antibióticos e outros resíduos da aquacultura poluem o meio ambiente.Solha

•
Muitos
cardumes de solha (Pleuronectes platessa) em toda a Europa estão em
grande perigo. As solhas grandes adultas são agora muito raras.• T
O
método usado para pescar a solha, com rede de arrasto no fundo do mar,
é uma das formas de captura mais destrutivas, pois a rede lavra o fundo
do mar esmagando tudo em seu rastro.
•
Este
método captura também grande quantidade de solhas imaturas e grande
número de espécies não desejadas. Cerca de 80% da pesca total é
despediçada e descartada morta de volta ao mar.
Olho-de-vidro (Orange roughy)

•
Muitos cardumes de olho-de-vidro (Hoplostethus atlanticus) no mundo
inteiro têm sido dizimados, já que esta é uma espécie de crescimento
lento que pode viver até a idade de 150 anos.
• O método de pesca
para capturar o olho-de-vidro é com rede de arrasto no fundo do mar,
uma das mais destrutivas formas de pesca que destrói as protuberâncias
marinhas e a singular biodiversidade delas.
•
Estamos exigindo uma moratória contra a pescaria de arrasto em alto mar – acompanhe a expedição virtual aqui.